A Caverna
Esta é a caverna, quando a caverna nos é negada/Estas páginas são as paredes da antiga caverna de novo entre nós/A nova antiga caverna/Antiga na sua primordialidade/no seu sentido essencial/ali onde nossos antepassados sentavam a volta da fogueira/Aqui os que passam se encontram nos versos de outros/os meus versos são teus/os teus meus/os eus meus teus /aqui somos todos outros/e sendo outros não somos sós/sendo outros somos nós/somos irmandade/humanidade/vamos passando/lendo os outros em nós mesmos/e cada um que passa se deixa/essa vontade de não morrer/de seguir/de tocar/de comunicar/estamos sós entre nós mesmos/a palavra é a busca de sentido/busca pelo outro/busca do irmão/busca de algo além/quiçá um deus/a busca do amor/busca do nada e do tudo/qualquer busca que seja ou apenas o caminho/ o que podemos oferecer uns aos outros a não ser nosso eu mesmo esmo de si?/o que oferecer além do nosso não saber?/nossa solidão?/somos sós no silêncio, mas não na caverna/ cada um que passa pinta a parede desta caverna com seus símbolos/como as portas de um banheiro metafísico/este blog é metáfora da caverna de novo entre nós/uma porta de banheiro/onde cada outro/na sua solidão multidão/inscreve pedaços de alma na forma de qualquer coisa/versos/desenhos/fotos/arte/literatura/anti-literatura/desregramento/inventando/inversando reversamento mundo afora dentro de versos reversos solitários de si mesmos/fotografias da alma/deixem suas almas por aqui/ao fim destas frases terei morrido um pouco/mas como diria o poeta, ninguém é pai de um poema sem morrer antes
Jean Louis Battre, 2010
Jean Louis Battre, 2010
31 de agosto de 2011
Tô cansado
Tô cansado do meu cabelo
Tô cansado da minha cara
Tô cansado de coisa vulgar
Tô cansado de coisa rara
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de me dar mal
Tô cansado de ser igual
Tô cansado de moralismo
Tô cansado de bacanal
Tô cansado
Tô cansado
Tô cansado de trabalhar
Tô cansado de me ferrar
Tô cansado de me cansar
Tô cansado de descansar
Tô cansado
Tô cansado
Branco Mello e Arnaldo Antunes
Tudo já foi dito
A palavra já cansada cansa
Cansa de sí mesma
Cansa a vista
já cansada do cansaço de cansar
Quem alcança o cansaço disto tudo?
Tudo já foi dito
Todas as palavras mortas
Queria as palavras exatas
nos espaços vazios do papel
As palavras certas são as erradas
Se não se sente o que um dia se sentiu
Estamos sem sentidos no sentir
A meta é a meta
...............fora
E após o pós-moderno?
O pós-pós moderno?
ou será que era eterno?
Salvador Passos
Cansa de sí mesma
Cansa a vista
já cansada do cansaço de cansar
Quem alcança o cansaço disto tudo?
Tudo já foi dito
Todas as palavras mortas
Queria as palavras exatas
nos espaços vazios do papel
As palavras certas são as erradas
Se não se sente o que um dia se sentiu
Estamos sem sentidos no sentir
A meta é a meta
...............fora
E após o pós-moderno?
O pós-pós moderno?
ou será que era eterno?
Salvador Passos
25 de agosto de 2011
Dom Quixote
A vida é um moinho
É um sonho o caminho
É do Sancho, o Quixote
Chupando chiclete
O Sancho tem chance
E a chance é o chicote
É o vento e a morte
Mascando o Quixote
Chicote no Sancho
Moinho sem vinho
Não corra me puxe
Meu vinho meu crush
Que triste caminho
Sem Sancho ou Quixote
Sua chance em chicote
Sua vida na morte
Vem devagar
Dia há de chegar
E a vida há de parar
Para o Sancho descer
E os jornais todos a anunciar
Dulcinéia que vai se casar
Vê, vê que tudo mudou
Vê, o comércio fechou
Vê e o menino morreu
E os jornais todos a anunciar
Armadura e espada a rifar
Dom Quixote cantar na TV
Vai cantar pra subir
Os Mutantes
Composição: Rita Lee/ Arnaldo Baptista
24 de agosto de 2011
22 de agosto de 2011
19 de agosto de 2011
A vida é o que fazemos dela
A vida é o que fazemos dela.
As viagens são os viajantes.
O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.
Bernardo Soares
(O livro do Desassossego)
As viagens são os viajantes.
O que vemos não é o que vemos, senão o que somos.
Bernardo Soares
(O livro do Desassossego)
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